
Fisioterapia pélvica no tratamento da incontinência urinária feminina

Fabiana da Rosa Matos
Crefito 273.373-F
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Sentir dor durante a relação sexual é mais comum do que as pessoas imaginam. A dor pode acontecer antes, durante ou após o ato sexual e costuma gerar medo, frustração e até afastamento do parceiro ou parceira. Muitas mulheres acreditam que “é normal” ou que precisam apenas “relaxar”, mas a verdade é que a dor na relação sexual nunca deve ser ignorada.
A dor sexual é complexa e pode ter muitas causas, desde fisiológicas até psicológicas. Pode ser caracterizada como profunda ou superficial ou pelo tipo de dor (ou seja, pontada ou queimação). Em muitos casos, há uma contração excessiva dos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP) — que sustentam órgãos como bexiga, útero e reto. O medo e a ansiedade sobre a dor na antecipação da relação sexual levam a tensão ou contração acentuada do MAP durante a tentativa de penetração, podendo tornar a relação sexual dolorosa. Alterações hormonais, como as que ocorrem após o parto ou na menopausa, causam secura vaginal e sensibilidade aumentando o risco de dor. Situações de estresse, ansiedade ou experiências negativas podem levar o corpo a reagir com tensão, mesmo sem que a mulher perceba. Há ainda causas físicas, como endometriose, cicatrizes pós-cirurgia, infecções ou inflamações na região íntima.
Durante a avaliação fisioterapêutica, o olhar se volta para o corpo como um todo e para a história de cada mulher. O fisioterapeuta procura entender como a dor começou, de que forma ela se manifesta e quais efeitos tem no dia a dia. A partir dessa escuta, avalia-se a musculatura do assoalho pélvico, identificando possíveis tensões, dores ou sensibilidades. Essa compreensão global orienta um tratamento personalizado, respeitando o ritmo e as necessidades de cada paciente.
O tratamento fisioterapêutico para dor na relação sexual é baseado em evidências científicas e envolve diferentes abordagens. Uma das principais é o treinamento de consciência corporal, que ensina a mulher a perceber e controlar melhor os músculos da pelve, aprendendo a contrair e relaxar no momento certo. Também são utilizados recursos como biofeedback, que mostra em tempo real como os músculos se comportam, e técnicas de relaxamento e respiração, que reduzem a tensão física e emocional. Em alguns casos, a fisioterapeuta aplica terapia manual, com toques suaves e liberação de pontos de dor, para melhorar a elasticidade dos tecidos e dessensibilizar áreas dolorosas na região íntima. O uso gradual de dilatadores vaginais pode ser indicado quando há medo ou espasmo intenso, ajudando o corpo a aceitar o toque e a penetração de forma progressiva e sem dor.
Além das técnicas em consultório, o tratamento envolve o aprendizado de hábitos e exercícios para fazer em casa. Pequenas mudanças, como dedicar tempo ao autocuidado, priorizar momentos de relaxamento, usar lubrificantes adequados e manter uma comunicação aberta com o parceiro, fazem grande diferença.
Mais do que tratar a dor, a fisioterapia pélvica ajuda a mulher a reconectar-se com o próprio corpo, retomando o prazer e a intimidade de maneira saudável e sem sofrimento. Sentir dor não é normal e buscar ajuda é um ato de autocuidado e amor-próprio.
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